28/12/2016 13h43
São Paulo
Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil
A viúva do vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, Maria Souza Santos, compareceu
hoje (28) à Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom). O suspeito
de praticar o assassinato, Ricardo Martins do Nascimento, de 21 anos,
foi preso e 14 testemunhas, incluindo duas travestis e um funcionário da
bilheteria do metrô, foram convocadas para fazer o reconhecimento.
“Foi um abalo total. Ele era maravilhoso, tanto que morreu dando a vida para o outro”, disse a viúva.
“Quero
que ele [Ricardo] pague pelo que fez. Tem uma família chorando, ele me
deixou sozinha no mundo. Ele [Ruas] não merecia morrer do jeito que ele
morreu, o rosto dele estava todo estourado, eu não tive coragem de ver”,
lamentou. “Eu quero perguntar para o cara [Ricardo] porque ele fez isso
com uma pessoa tão boa”, disse.
A irmã da vítima, Maria de
Fátima Ruas, disse que o irmão estava trabalhando no domingo de Natal
(25) para pagar o imposto do carro, que estava retido. “Eu não estou
aguentando, não estou suportando de dor, meu coração está sangrando.
Vamos fazer justiça”, disse.
"Eu não sou má pessoa"
Mais
cedo, Ricardo lamentou o ocorrido e disse que se pudesse faria algo
para ajudar a viúva do ambulante. “Eu não sou má pessoa”, disse. O
acusado foi preso às 21h de ontem (27) na casa de um amigo em uma favela
do município de Itupeva, região de Campinas.
O outro suspeito de
ter participado do crime, o primo de Ricardo, Alípio Rogério Belo dos
Santos, de 26 anos, continua foragido. “Estamos com equipes nas ruas e
não vamos parar, porque isso revoltou todos os policiais. Era [ o
vendedor] uma pessoa humilde, que foi defender as travestis, prestar
solidariedade, e acabou pisoteado, morto por esses dois covardes”, disse
Osvaldo Nico, diretor do Departamento de Capturas e Delegacias
Especializadas.
Ricardo disse que a confusão começou após o seu primo levar uma garrafada na cabeça.
“Não
acredito nisso, eles estão tentando reverter, mas as imagens estão
claras, a covardia que eles fizeram”, disse Nico. “Ele está contando uma
história, que, para mim, não convence”.
Crime
Luiz
Carlos Ruas foi espancado e morto às 22h25 de domingo, noite de Natal.
Segundo testemunhas, o ambulante vendia salgados e refrigerantes do lado
de fora da estação quando dois homens se desentenderam com ele e
passaram a agredi-lo. O ambulante defendia moradores de rua, incluindo
duas travestis, que também foram agredidas pelos dois suspeitos.
O
vendedor tentou correr até a bilheteria da estação na Estação Pedro II
do metrô, mas foi atingido por vários golpes e caiu no local. Ele foi
socorrido e levado a um hospital por agentes de segurança do Metrô, mas
não resistiu aos ferimentos.
Edição: Carolina Pimentel
Fonte: Agência Brasil
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